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terça-feira, 13 de outubro de 2009



Voltar aos dezessete
Depois de viver um século
É como decifrar signos
Sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente
Tão frágil como um segundo
Voltar a sentir profundo
Como um menino frente a Deus
É isso que sinto eu
Neste instante fecundo

Se vai enredando, enredando
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musguinho na pedra
(Como o musguinho na pedra, ai, sim, sim, sim...)

Meu passo retrocedido
Quando o de vocês avança
O arco das alianças
Penetrou em meu ninho
Com todo seu colorido
Passou por minhas veias
E até as duras cadeias
Com que nos ata o destino
É como um diamante fino
Que alumbra minha alma serena

O que pode o sentimento
Não se pode saber
Nem o mais claro proceder
Nem o mais largo pensamento
Tudo muda o momento
Qual mago condescendente
Alija-nos docemente
De rancores e violências
Só o amor com sua ciência
Nos torna tão inocentes

O amor é torvelinho
De pureza original
Até o feroz animal
Sussurra seu doce trino
Detém aos peregrinos
Libera os prisioneiros
O amor com seus esmeros
Ao velho torna-o menino
E ao mau só o carinho
O torna puro e sincero

De par em par na janela
Abriu-se como por encanto
Entrou o amor com seu manto
Como uma tíbia manhã

Ao som de sua bela Diana
Fez brotar o jasmim
Voando qual Serafim
Ao céu lhe pôs braceletes
E meus anos em dezessete
Converteu-os o querubim.
Se vai enredando, enredando
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musguinho na pedra
Como o musguinho na pedra
Ai, sim, sim, sim...

(Violeta Parra, em livre tradução)

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