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terça-feira, 5 de janeiro de 2010



Sophia de Mello Breyner Andresen


Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

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Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

RECADINHO DE LYGIA BOJUNGA PRA MIM

Fabiana, tua mensagem me tocou. É muito bom saber que meus personagens têm te feito uma companhia razoável, e mais! que a minha escrita te serviu um bocadinho pra confirmar uma vocação. Obrigada por cada uma das tuas palavras.
Li teus textos com interesse e gostei de ver a frequência com que a poesia te visita: seja você andando pela prosa, ou pelo verso, a poesia está sempre te guiando: privilégio que não é dado a qualquer um... Parabéns!
Venho desejar que a Literatura seja pra você um caminho com muito poucas pedras, e que tua andança seja o mais feliz possível.
Um abraço companheiro da Lygia Bojunga.



domingo, 1 de novembro de 2009










LITERATURA INFANTIL NO DRAGÃO DO MAR
Com participação dos autores ANTONIO FILHO,KELSEN BRAVOS, FABIANA GUIMARÃES , LUCIANO ALBUQUERQUE e do CORAL DAS CRIANÇAS DE SAN PIO de Mangabeira-Eusébio

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


VIOLETA BRANCA

poeta amazonense


Poema das tuas mãos

As tuas mãos nervosas, quentes, largas,
harpejam nos meus sentidos
a música ideal da emoção.
Para os teus dedos criadores,
sou o piano mágico vibrando
ao influxo de tua ardente inquietação.
Tuas mãos frementes,
arrancam angústias sonorizadas
de meus nervos,
que se retesam como cordas harmoniosas.

Tuas mãos imperiosas,
tuas mãos rebeldes,
cantam silenciosas aleluias de gestos,
quando compõem poemas de volúpia,
gritos incontidos de alegria pagã,

correndo ligeiras,
leves,
torturantes,
no teclado branco de meu corpo...

(Ritmos de inquieta alegria)



A Vela que passou

Singrando o mar,
uma vela
passou na noite triste...
Alguém, dentro dela,
ia cantando sob o luar
a mesma canção que cantei
quando partiste.
Quem cantava, não sei...
A vela passou na noite quieta...
Serias tu, marinheiro-poeta,
que ias cantando assim,
acordando a tristeza dentro de mim?

Pelo mar agitado a vela passou...
Tenho os olhos molhados
de quem chorou...
(Ibidem)