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terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que temer? Nada.
A quem temer? Ninguém.
Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes previlégios: onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte.

São Francisco de Assis

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

POR QUE AS PESSOAS ESCREVEM?



Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.

A vida de todos os dias não me interessa. Procuro apenas os momentos elevados. Estou de acordo com os surrealistas quanto à procura do maravilhoso.


Quero ser uma escritora que lembre aos outros que estes momentos existem. Quero provar que existe um espaço infinito, um sentido infinito para as coisas, uma dimensão infinita.

- Anais Nin

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Rádio FM Assembleia (96,7 MHz) consiste numa excelente alternativa não só pelos seus noticiários e coberturas ao vivo do mundo político mas também pelo seu menu cultural. Dentre as opções, destacamos o programa de entrevistas Autores & Ideias, produzido e apresentado por Lilian Martins.

Exibido aos sábados (15h), com reprise às terças-feiras (20h), o cenário literário brasileiro se esplende no bate-papo entre a comunicadora e seu convidado. Uma conquista para a literatura que tem nosso reconhecimento.

Lilian Martins apresenta programa literário de alto nível

Os programas podem ser acessados online. Clique no link abaixo e confira, entre outras, a entrevista com a poetisa Fabiana Guimarães, por exemplo.

Autores & Ideias

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cora Coralina – O que é viver bem?

Para quem não sabe, CORA CORALINA é uma poeta fantástica, que publicou seu primeiro livro aos 76 anos.

Cora Coralina

Além de poeta, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, o nome verdadeiro de Cora Coralina, era também uma cronista excelente; enfim uma das maiores escritoras do Brasil. Publicou oito livros e intermináveis textos.

Cora coralina morreu em 1985, aos 95 de idade, certa de ter cuidado mais do seu interior que de seu exterior.

Ao morrer Cora tinha todas as linhas da vida em seu rosto, e que vida ! Uma das frases mais citadas de Cora é: Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Mas num dado momento de sua vida, um repórter perguntou à ela “o que é viver bem”. Leiam a resposta de Cora Coralina:

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.E digo prá você, não pense.Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha.Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco.É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.

Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.

Você acha que eu sou?

Tenho consciência de ser autêntica.

Procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”