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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Infância


'A INFÂNCIA É MEDIDA PELOS SONS E CHEIROS E PAISAGENS, ANTES DA HORA ESCURA QUE A RAZÃO CRESCE.'

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sinal Vermelho


(Homenagem ao poeta José Alcides Pinto)

Sinal vermelho. Da janela do meu carro avisto o velho poeta atravessando a rua. Meus olhos vão seguindo aquele vulto, meio capiongo, já passos lentos. Vai conduzindo sua solidão ou por ela vai seduzido.

A solidão do poeta é povoada por seres deste e doutros mundos. Olho da janela do meu carro. O poeta não precisa de automóvel, é alado, e diáfano, por isso a multidão nem desconfia que ele existe.

Ele mesmo se pergunta, ou aos deuses, quem sou eu?, mas não obtém resposta. Aliás, respostas não são o forte dos poetas, que se contentam com as dúvidas. Para onde vai o turbilhão? Sem saber, os carros param para o poeta passar, a rua pára, o vento dispara uma rufada de gratidão. O semáforo é quem decide: vida ou morte. As calçadas esquivam-se dos pedestres.


O velho poeta segue repletamente vazio. Seus labirintos lhe bastam, o que não olha é o que vê. O velho poeta vai sobraçando papéis avulsos e a lânguida certeza de que a morte é conspiração. Uma certeza íntima, pouco lembrada, que resulta em mistério, contravenção ou metafísica.


Sou a platéia do velho poeta. Vejo-o transitar pelos meandros da babilônia e penso: a cidade inteira é menor do que o velho poeta.

Texto de Carlos Roberto Vazconcelos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A máquina do tempo




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O poder de evocação das palavras
O pintor Francisco de Goya (1819-1823) pintou um quadro sinistro que representa o deus Chronos devorando um dos seus filhos. A brutalidade plástica e a verdade da tela estão no fato de que ela nos confronta com o nosso destino: à medida que o tempo passa a vida se vai.

O tempo faz o vivido desaparecer no esquecimento. Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, descreveu essa tristeza de sentir a vida escorrendo para o passado num poema: "O tempo passa. Não nos diz nada. Envelhecemos. Saibamos, quase maliciosos, sentir-nos ir. Não vale a pena fazer um gesto. Não se resiste ao deus atroz que os próprios filhos devora sempre".

Por isso eu escrevo, para lutar contra o tempo. A escritura e a leitura fazem os mortos ressuscitar. A escritura e a leitura fazem o passado acontecer de novo. Por isso, ao ler o que aconteceu e não mais existe, nós rimos e choramos como se aquilo que aconteceu estivesse acontecendo de novo. E foi isso que aconteceu comigo. Envelhecendo, tive medo que o meu passado se perdesse.

Resolvi, então, escrever o meu passado, um passado feliz que o tempo me havia roubado, para oferecê-lo às minhas netas. Queria que, quando eu morresse, ele continuasse vivo na memória delas. Escrevi um livro contando a vida que vivi quando menino, na roça. Descrevi a casa velha, pintada de branco. Contei sobre os riachos e as árvores, sobre as noites silenciosas, sobre os ruídos dos bichos na mata, sobre os céus escuros iluminados por milhares de estrelas, sobre o fogão de lenha e sobre a luz das lamparinas iluminando a sala. E sobre algo impensável para elas: não havia eletricidade. Não havia geladeira. As comidas eram guardadas em armários de tela chamados guarda-comidas.

Publicado o livro, elas não demonstraram o menor interesse naquilo que eu contava porque o mundo em que eu vivera e amara lhes era estranho. Quem se interessou foram os velhos. Afinal, aquele era um mundo que também fora deles.

Passado algum tempo recebi um e-mail em inglês: uma mulher... Desculpava-se pelo inglês. Era uma emigrante egípcia. Entendia bem o português, lia os meus livros e gostava deles. Escrevia-me para me dizer que, no meu livro para as minhas netas, eu usara uma palavra que a apunhalara...

Uma única palavra com o poder de apunhalar! Que palavra poderosa poderia ter sido essa?

"Fui apunhalada pelo guarda-comida", ela disse. "Eu havia me esquecido de que essa palavra existia. O tempo a mergulhara no esquecimento. Mas, quando a li, o meu passado voltou. Instantaneamente, me vi menina de seis anos na cozinha da minha casa no Cairo, sessenta anos antes. Lá havia um guarda-comida." E ela disse o nome em francês: garde-manger. "A palavra anulou o espaço: atravessei o Atlântico... A palavra anulou o tempo: o passado ficou presente, ressuscitou do esquecimento..."

Aprendi então que máquinas do tempo existem. Elas se chamam "palavras". Podemos, então, pintar uma tela que é o inverso da tela que Goya pintou: a vida devorando o tempo...

Rubem Alves Educador e escritor
rubem_alves@uol.com.br

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Arte


A arte alimenta-se de ingenuidades, de imaginações infantis que ultrapassam os limites do conhecimento; é aí que se encontra o seu reino. Toda a ciência do mundo não seria capaz de penetrá-lo.
Lionello Venturi

domingo, 5 de dezembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LANÇAMENTO NO PINTANDO E BRINCANDO DO DRAGÂO DO MAR







VIDA X ARTE

Os quatro elementos em tom de fábula

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A escritora Fabiana Guimarães lança amanhã na Praça Verde do Centro Dragão do Mar seu quinto livro infantil, O senhor do tempo e outras histórias.

Senhora Terra, Senhor Fogo, Senhora Água, Senhor Ar. Estas são as personagens principais do livro O senhor do tempo e outras histórias que será lançado amanhã (28) na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Os quatro elementos da natureza são personificados para mostrar a função poética de cada um. “Minha intenção foi escrever sete histórias isoladas, mas eles têm um contexto que os interliga”, disse a autora Fabiana Guimarães.

E para ajudar a arrematar os casos vividos pelas figuras centrais existe o Senhor Tempo, fluído e faceiro, escorre entre os dedos sem preocupar-se com quem fica para trás. É o Senhor Tempo que vai permeando as sete histórias em verso. Em quase todas as páginas estão ampulhetas ou relógios para marcar, mesmo que discretamente, a presença dos segundos e minutos. A lua, satélite natural da terra, está no capítulo Lua de Cetim. Suas fases são comparadas aos momentos de uma jornada. Quando ela está minguante, por exemplo, a autora lembra uma rede armada para dormir.

Este é o quinto livro infantil lançado por Fabiana Guimarães. No começo da carreira ela dedicava-se a literatura para adultos, mas diz ter resgatado uma garota dentro de si quando mudou seu foco. “Essa criança que existe e nunca deve morrer”, enfatiza. As gravuras de “O senhor do tempo e outras histórias” foram feitas por Simone Matias. Durante o mês de novembro o livro participou da exposição Traçando Histórias durante a Feira do Livro de Porto Alegre. O evento, em sua sétima edição, reuniu 37 ilustradores de várias partes do Brasil.



SERVIÇO



O SENHOR DO TEMPO E OUTRAS HISTÓ-RIAS
Onde: Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:GRUPO MUSICAL PRIMEIRO ACORDE E PAULO BAHIA

Quando: Domingo (28)
Horário: 16hEntrada franca.

Preço: R$17,80 (Preço especial de lançamento R$15)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

MEU SENHOR DO TEMPO E OUTRAS HISTÒRIAS ESTÁ PARTICIPANDO DA TRAÇANDO HISTÓRIAS(exposição dos melhores ilustradores do brasil)





7a Traçando Histórias

capatracando

Já está acontecendo a sétima edição da mostra de ilustração de livros de literatura infantil e juvenil. Organizamos esta exposição a cada dois anos. Sempre dentro da programação da Feira do Livro de Porto Alegre.

A visitação vai até o dia 15 de novembro, das 9h às 21h na área infantil da feira que fica no Cais do Porto, no centro da cidade.

Nesta edição participam 37 ilustradores de várias partes do Brasil. Dentre eles estão três ilustradoras homenageadas por completarem 30 anos de carreira agora em 2010, são elas Eva Furnari, Angela-Lago e Ana Raquel.

A lista completa: ANA RAQUEL, ANA TERRA, ANGELA-LAGO, ANGELO ABU,ALÊ ABREU, CÁRCAMO, CRIS EICH, CRISTINA BIAZETTO,DANIEL BUENO, ELMA, EVA FURNARI, ELLEN PESTILI,ELVIRA VIGNA, ELISABETH TEIXEIRA, FLÁVIO FARGAS,FERNANDO VILELA, GRAÇA LIMA, GUAZZELLI, GUTO LINS, IONIT ZILBERMAN, JEAN CLAUDE R. ALPHEN, JANAINA TOKITAKA, JÔ OLIVEIRA, LAURA CASTILHOS, LÉLIS, LUIZ MAIA, LUCIA HIRATSUKA, MARIA EUGÊNIA, MARILIA PIRILLO, MAURICIO NEGRO, MARCELO CIPIS,MATEUS RIOS, MARIO BAG, ROGER MELLO, SALMO DANSA, SIMONE MATIAS, SUPPA.

Nos dias 3 e 4 de novembro, acontecerá a programação paralela da mostra, com oficinas e palestras de ilustradores convidados. Para inscrições e saber mais da programação: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br

Se estiver por perto venha visitar a Traçando História